19 outubro 2005

 

O não e o sim

O referendo do próximo domingo colocou a questão de uma maneira muito radical. Entre o não e o sim há um meio termo. Entre o referendo e não referendo há inúmeras outras questões que afligem o país e delas o governo vem descurando. Em princípio, todos devem, é óbvio, ser a favor da não-violência. Jesus ensinou: "Amai-vos uns aos outros" (Jo 13,34) e não "Armai-vos uns aos outros". Há, porém, no Brasil, milhares de mortes nas estradas mal cuidadas deste país. Existem um sem número de brasileiros a morrer de fome, convivendo com uma lamentável pobreza. A situação da saúde dos patrícios é deplorável. A distribuição de renda desta nação é uma das piores do mundo. O que se vai gastar com o referendo poderia minimizar muitos destes males. Fabulosa é a verba que o governo pretende consumir na polêmica transposição das águas do Rio São Francisco. Ora, tudo isto vem à tona, com este assunto do referendo e, inclusive, o cidadão quer saber se as autoridades vão desarmar os bandidos, vão aparelhar melhor a polícia, iluminar melhor as vias públicas. Outrossim, fica em aberto a questão do contrabando que poderá trazer outros problemas sérios. Na verdade, o que é preciso é a cultura da vida e não da morte, mas as tentativas a favor do aborto, da eutanásia têm tido complacência dos poderes públicos. Cumpre se viva o conselho de Jesus Cristo: "Seja o vosso sim, sim; o vosso não, não" (Mt 5,37). É preciso que haja coerência total. Não se pode ficar justificando um erro com outro erro. Diante da febre aftosa que assola o Estado do Mato Grosso com gravíssimas conseqüências econômicas, o Presidente afirmou, na Europa, que a febre aviária européia é muito mais grave. E daí? O suborno não começou neste período republicano, mas querer dar justificativa acusando governos anteriores é tapar o sol com a peneira e não desejar resolver de vez a corrupção que contamina a vida pública. Na semana passada na maior cidade do país, na maior Universidade da nação, a USP, um estudante matou o colega com uma facada. Um motorista de táxi narrou a este articulista como foi agredido violentamente, certa vez, por um assaltante que o atacou com uma faca pontiaguda! Portanto, o ponto crucial é o desarmamento dos espíritos, uma sociedade mais justa e humana. No referendo do dia 23 de outubro cada um votará de acordo com sua consciência, pesando os prós e os contra, os aspectos positivos e negativos do NÃO e do SIM, ainda que o ideal seja, de fato, um não às armas, mas também um não a todo tipo de opressão, de enganação, de corrupção.Vale se lembre a historieta que diz terem três velhinhos batido na porta de uma casa e a senhora os atendeu e perguntou o nome deles. Disseram: somos a Fortuna, a Fartura e o Amor, mas só pode entrar um de nós e queremos saber se seu marido está em casa. Ela disse que chegaria em breve. Chegado este a esposa contou o ocorrido e o marido deu licença para que ela os chamasse. Qual deles? A marido queria que fosse a Fartura. A esposa desejava a Fortuna, mas o filho interveio e pediu: "Chamem o Amor e vocês pararão de discutir e amando mais uma ao outro, haverá mais Fortuna e Fartura". Os pais cederam, mas quando a mulher foi chamar o Amor os três entraram. Ela indagou: "Não era um só que poderia entrar"? Eles responderam: "Acontece, porém, que onde entra o Amor vai junto a Fortuna e a Fartura!" O que falta no Brasil de hoje é mais amor dos políticos ao povo e amor dos cidadãos entre si!
texto extraído do site - www.universocatolico.com.br
Concordo plenamente com o texto acima. Minha opinião pessoal é de que não devemos ser ingênuos. Sou contra as armas e contra este referendo. Acredito que existem questões muito mais importantes a serem referendadas, e principalmente resolvidas. Me parece que esta ação está servindo para desviar a atenção da população. O fato de eu ser cristão não me torna inocente, não posso simplesmente aceitar uma proposta que não foi claramente justificada. Se existe interesse no lado da industria armamentista, existe também do lado do governo. Voto não! Não porque sou a a favor das armas mas porque sou contra esta tentativa de mais uma vez passarem o povo para trás. Devo mostrar, no meu voto, minha crítica.

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