11 outubro 2005

 

Palavras de João Paulo II sobre a música sacra

A música sacra constitui uma parte integrante da liturgia. O canto gregoriano, reconhecido pela Igreja como "canto próprio da liturgia romana" (Sacrosanctum concilium, 116), é um património espiritual e cultural único e universal, que nos foi transmitido como a expressão musical mais límpida da música sacra, ao serviço da Palavra de Deus. A sua influência sobre o desenvolvimento da música na Europa foi considerável. Tanto os eruditos trabalhos de paleografia da Abadia de São Pedro de Solesmes e a edição das recompilações do canto gregoriano, fomentadas pelo Papa Paulo VI, como também a multiplicação dos coros gregorianos, contribuíram para a renovação da liturgia e da música sacra em particular.
O canto popular, que é um vínculo de unidade e uma jubilosa expressão da comunidade em oração, promove a proclamação da única fé e oferece às grandiosas assembleias litúrgicas uma solenidade incomparável e íntima.
A aplicação das orientações do Concílio Vaticano II acerca da renovação da música sacra e do canto litúrgico de modo particular nos coros, nas capelas musicais e nas Scholae Cantorum exige hoje dos pastores e dos fiéis uma sólida formação a níveis cultural, espiritual, litúrgico e musical. Além disso, requer uma reflexão aprofundada, para definir os critérios de constituição e de difusão de um repertório de qualidade, que consinta à expressão musical servir de maneira apropriada o seu fim último, que é "a glória de Deus e a santificação dos fiéis" (Sacrosanctum concilium, 112).
Dilectos amigos músicos, poetas e liturgistas, a vossa contribuição é indispensável. "Quantas composições sacras foram elaboradas, ao longo dos séculos, por pessoas profundamente imbuídas pelo sentido do mistério! Crentes sem número alimentaram a sua fé com as melodias nascidas do coração de outros fiéis, que se tornaram parte da Liturgia ou pelo menos uma ajuda muito válida para a sua condigna realização. No cântico, a fé é sentida como uma exuberância de alegria, de amor, de segura esperança da intervenção salvífica de Deus" (Carta aos Artistas, 12).
Estou convicto de que posso contar com a vossa generosa colaboração para conservar e incrementar o património cultural da música sacra, ao serviço de uma liturgia fervorosa, lugar privilegiado de inculturação da fé e de evangelização das culturas. Por este motivo, confio-vos à intercessão da Virgem Maria, que soube cantar as maravilhas de Deus, e concedo com afecto, a vós e às pessoas que vos são queridas, a Bênção apostólica.

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