24 outubro 2005

 

Sínodo: comunhão para divorciados e celibato sacerdotal

Os participantes da assembléia sinodal em curso no Vaticano, sobre a Eucaristia, após os trabalhos dos últimos dias, dedicaram todo o dia de ontem às reuniões em grupos lingüísticos, os chamados "círculos menores", destinados a produzir os relatórios a serem posteriormente submetidos ao voto da assembléia.No final da manhã, o cardeal nigeriano Francis Arinze _ Prefeito da Congregação para o Culto Divino e a Disciplina dos Sacramentos _ e outros padres sinodais fizeram uma avaliação sobre os trabalhos do Sínodo, no encontro que mantiveram com os jornalistas, na Sala de Imprensa da Santa Sé, respondendo às suas perguntas sobre temas "candentes" do Sínodo.A comunhão aos divorciados que voltam a se casar, o celibato sacerdotal, e a crise ocidental que leva os fiéis _ com a perda do sentido do sagrado _ a não mais compreender o mistério da Eucaristia.O cardeal Arinze abordou, com o auxílio de quatro padres sinodais _ entre os quais o cardeal Juan Sandoval Íñiguez, arcebispo mexicano de Guadalajara, e o arcebispo norte-americano Dom John Patrick Foley, presidente do Pontifício Conselho das Comunicações Sociais _ alguns dos temas do Sínodo que mais interessaram à imprensa.Entre os primeiros a falar, na coletiva de imprensa, o cardeal Íñiguez ressaltou com gratidão, a freqüência com que Bento XVI tem participado das congregações gerais do Sínodo.Por sua vez, coube ao cardeal Arinze reiterar, entre outras coisas, a posição da Igreja em relação à delicada questão da comunhão aos divorciados que se casaram novamente: "Não vemos isso como lei da Igreja, mas como lei de Deus. A questão é esta: se duas pessoas são casadas e se esse matrimônio é válido diante de Deus e diante da Igreja, porém o matrimônio fracassou, não temos o poder de desfazer um matrimônio que é válido diante de Deus e da Igreja. O que se poder fazer? Uma coisa é ter compaixão por essas pessoas, porque sofrem; outra coisa é dizer que podem encontrar outro marido ou outra esposa e viver juntos e receber a comunhão. Porque, aquilo que fazem, nessa situação, não mais reflete aquela imagem de matrimônio que a nossa fé nos ensina. São membros da Igreja, mas nesse estado não podem participar da comunhão. Nós somos apenas ministros, e devemos responder diante de Deus: eis o problema" - disse o cardeal Arinze.Sobre a questão do celibato sacerdotal _ tema que suscitou diversos pronunciamentos na Sala do Sínodo _ o bispo ucraniano Sofron Stefan Mudry, ilustrou o cenário de seu país, referindo as "graves dificuldades sociais" e os problemas práticos que devem afrontar os homens casados ordenados sacerdotes, desde a carência de moradia à impossibilidade, por vezes, de deslocar-se de uma paróquia para outra, por causa, por exemplo, dos filhos em idade escolar. Situações que contrastam com a dedicação que o ministério requer.A propósito da ordenação sacerdotal de homens casados como meio de solucionar a crise vocacional, eis o que disse o cardeal Íñiguez: "É um problema, não uma solução. Vocês sabem que, nas Igrejas orientais católicas existem sacerdotes casados; três ou quatro padres dessas Igrejas se pronunciaram, dizendo que, apesar de ser previsto o matrimônio dos sacerdotes, existe igualmente a crise vocacional. Os sacerdotes não têm tempo para estudar, devem trabalhar muito, para manter a esposa e os filhos; por vezes se divorciam, por vezes pedem que o bispo mantenha o sacerdote, a esposa e os filhos?·Quatro representantes da CNBB estão participando dos trabalhos sinodais: o cardeal-arcebispo de Salvador, Bahia, Geraldo Majella Agnelo, presidente da CNBB; o cardeal-arcebispo de São Paulo, Cláudio Hummes; o arcebispo de Vitória da Conquista, Bahia, Dom Geraldo Lyrio Rocha; e o arcebispo de Mariana, Minas Gerais, Dom Luciano Mendes de Almeida. Fonte: Rádio Vaticano

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