03 outubro 2005

 

XI Assembléia-Geral Ordinária do Sínodo dos Bispos - notícia

"Recebamos o Senhor, para que nos doe Sua graça, para que durante as três semanas do Sínodo que estamos iniciando, não digamos somente coisas bonitas sobre a Eucaristia, mas sobretudo, que todos vivamos de sua força".
O Santo Padre, o Papa Bento XVI presidiu neste domingo a Santa Missa que abre a XI Assembléia-Geral Ordinária do Sínodo dos Bispos, que terá como tema "Eucaristia, fonte e cume da vida e da missão da Igreja", convidando, ao longo de sua homilia, a recordar sempre que Deus não falha, que Seu amor vence!A Santa Missa de abertura do XI Sínodo dos Bispos foi celebrada na Basílica de São Pedro, iniciada as 9h30 (hora de Roma). Junto com Bento XVI, concelebraram os padres sinodais e colaboradores (35 Cardeais, 7 Patriarcas, 59 Arcebispos, 123 Bispos, 40 Presbíteros, 37 Adjuntores e 4 Auditores), somando 256 participantes, provenientes de 1187 países. Durante sua homilia, o Pontífice destacou a presença da imagem da videira na primeira leitura e no evangelho, onde "o pão representa tudo aquilo do que o homem necessita para sua vida diária. A água dá a terra a fertilidade: é o dom fundamental que torna possível a vida. O vinho, ao contrário, expressa o aprimoramento da criação, nos doa a festa na qual superamos os limites do cotidiano: o vinho "alegria ao coração". Deste modo o vinho e com este a vinha foram convertidos na imagem do dom do amor, no que podemos ter uma experiência do sabor do divino."O primeiro pensamento das leituras de hoje é este: ao homem, criado a sua imagem, Deus nos deu a capacidade de amar e, portanto, de amá-Lo como Criador... Deus nos espera. Ele quer ser amado por nós: tal chamado, não deveria, por acaso, tocar o nosso coração? Justamente neste momento em que celebramos a Eucaristia, neste momento em que abrimos o Sínodo sobre a Eucaristia, Ele vem ao nosso encontro, vem ao meu encontro. Encontrará alguma resposta? Ou acontece conosco como a vinha, na qual Deus disse em Isaías: 'Ele esperou que produzisse uvas, mas esta deu uvas selvagens'? Nossa vida cristã não é, por acaso, frequentemente muito mais azeite que vinho? Auto-compaixão, conflitos, indiferença?"Passando ao segundo pensamento fundamental das leituras, o Santo Padre disse que estas "falam sobretudo da bondade da criação de Deus e da grandeza da eleição com a qual Ele nos busca e nos ama. No Evangelho, a videira produz uvas boas, mas os arrendatários a tem para si. Sua motivação é simples: querem fazer-se eles mesmos os proprietários; tomam posse daquilo que não lhes pertence. Nós homens, a quem nos foi confiada a criação para administrá-la, a roubamos. Queremos ser patróes em primeira pessoa e únicos. Queremos possuir o mundo e nossa vida, de maneira ilimitada. Deus é um obstáculo, ou se faz Dele uma simples frase devota, ou Ele é negado totalmente, tirado da vida pública, ao ponto de perder todo o Seu significado. A tolerância que admite a Deus como opinião privada, nega o domínio público, a realidade do mundo e da nossa vida, não é tolerância, mas hipocrisia. Onde o homem se faz o único patrão do mundo e proprietário de si mesmo, não pode existir a justiça. Aí pode dominar somente o arbítrio do poder e dos interesses".Assim mesmo, o Santo Padre fez referência a um terceiro elemento das leituras: o juízo. "O juízo anunciado pelo Senhor Jesus refere-se, sobretudo, à destruição de Jerusalém no ano 70. Porém a ameaça do juízo tambem refere-se a nós, a Igreja na Europa e no Ocidente em geral. Mas não há nenhuma promessa, nenhuma palavra que confronte a leitura com a página evangélica de hoje? A ameaça é a última palavra? Não! A promessa está, e esta é a última, a palavra essencial. Escutamos-na no verso do Aleluia, tirado do Evangelho de João: 'Eu sou a videira, vós os ramos. Aquele que permanece em mim e eu nele, esse dá muito fruto'. Com estas palavras do Senhor, João nos ilustra o último, o verdadeiro resultado da história da vinha de Deus. Deus não falha. No final, Ele vence, vence o amor. Da morte do Filho surge a vida, forma-se um novo edifício, uma nova vinha. Ele, que em Caná, transformou a água em vinho, tem transformado seu sangue em vinho do verdadeiro amor, e assim transforma o vinho em seu sangue. Seu sangue é dom, é amor, e por isso é o verdadeiro vinho que o Criador esperava. Deste modo, Cristo mesmo se tem convertido na videira, e esta videira sempre carrega bons frutos: a presença de Seu amor por nós, que é indiscutível".Concluindo, Sua Santidade refletiu sobre a Eucaristia, afirmando que "estas parábolas desembocam neste mistério, no qual o Senhor nos doa o pão da vida e o vinho de Seu amor, e nos convida à festa do amor eterno. Nós celebramos a Eucaristia na consciência que seu preço foi a morte do Filho. Sabemos que desta morte surge a vida, porque Jesua transformou-a em gesto de oblação, em um ato de amor, convertendo-a assim no profundo: o amor que vence a morte". Os trabalhos da Assembléia iniciada neste dia 2 de outubro (domingo), serão realizados na Sala do Sínodo, no Vaticano, e se estenderão até o próximo dia 23 de outubro. Este é o primeiro Sínodo aberto pelo Papa Bento XVI, durante seus seis meses de pontificado.

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