09 novembro 2005

 

Sobre o Neocatecumenato

1. Histórico
O caminho neocatecumenal, também chamado de itinerário de iniciação cristã das comunidades neocatecumenais, nasceu em 1964 em Madri, nas favelas de Palomeras Altas, por inspiração do pintor Francisco Argüello (Kiko), convertido do ateísmo existencialista à fé cristã. Caminhava no bairro com a bíblia, um crucifixo e um violão. Mais tarde um membro de Instituto Religioso, que passava por Madri rumo à Bolívia, Carmen Hernández, associou´se ao projeto. Hoje o movimento neocatecumenal está presente em 90 nações e em todos os continentes. 2. Linhas Doutrinais A base doutrinal se fundamenta no anúncio da ressurreição de Jesus Cristo; no Servo de Deus como sentido da cruz de cada homem; na redescoberta do batismo como meta; no catecumenato como caminho de conversão e de fé. O caminho catecumenal se propõe ser uma síntese original da totalidade do cristianismo. Teologicamente o catecumenato não quer responder à teologia do laicato, mas sim à eclesiologia da comunhão. Eis alguns pilares, nos quais se baseia o neocatecumenato: O anúncio da ressurreição de Jesus Cristo Na primeira etapa afirma o querigma da ressurreição. Pede´se ao catecúmeno vida nova, que só é possível na medida em que nascer o homem novo, revestido de Jesus Cristo. A ética cristã tem que ser moral responsorial: a graça precede ao dever, a iniciativa à resposta humana, a ação de Deus ao imperativo e à parenese da atuação do homem. No princípio, pede´se que se escute a palavra de Deus, para se preparar às demais exigências cristãs. O anúncio da ressurreição se dirige aos homens escravizados pelo temor da morte. Ao pecar, o homem faz experiência de morte, porque o pecado destrói o homem por dentro. O momento querigmático é atualizado com a narrativa da queda de Adão e Eva. Ao pecar, os primeiros pais fizeram uma experiência de morte, de ruptura, de acusação. Dentro da situação existencial do homem com o temor da morte, ressoa o querigma da ressurreição de Jesus, como alegre notícia. A teologia de Paulo (particularmente Romanos e Coríntios) é chave de leitura. O anúncio da ressurreição abre o caminho neocatecumenal, que inicia a formação da comunidade e a reconstrução da Igreja. É uma iniciação à experiência pessoal de conversão. Caminho de fé e conversão Os que receberam o querigma começam, comunitariamente como povo, uma caminhada, um itinerário. Aqui aparecem os paradigmas de Abraão e Maria. É um autêntico catecumenato, por ser uma iniciação à fé, à conversão e ao batismo. Por se tratar decatecumenato pós´batismal chama´se neocatecumenato. À medida que a palavra de Deus ilumina, se aprendem 3 lições fundamentais: a primeira é que Javé, o Pai de Jesus Cristo, é o único Deus.Cantar o shemá é recordar e confessar a unicidade de Deus. O catecúmeno deve dar sinais de que o dinheiro não é seu deus. ´´´ O segundo escrutínio é confrontação profunda com as tentações do dinheiro, da história e dos ídolos. É um passo decisivo no caminho neocatecumenal ´´´ Outro descobrimento é a cruz gloriosa. Deus, ressuscitando Jesus, mudou a morte ignominiosa da cruz em motivo de esperança, glória e salvação. A cruz não destrói o homem unido a Cristo pela fé. O catecúmeno vive uma vida que supera a morte: a vida eterna. A vida começada é garantia de consumação da promessa e da esperança. Dentro desse horizonte escatológico descobre´se também a realidade do juízo e do inferno. O evangelho de Jesus Cristo implica num julgamento de salvação ou de ruína. A comunidade como realização de Igreja A pregação querigmática tende à reconstrução da comunidade. Segundo seus fundadores, não é um grupo espontâneo, nem uma comunidade de base, nem uma associação de leigos, nem um movimento de espiritualidade, nem um grupo de elite da paróquia. A comunidade neocatecumenal quer ser Igreja de Jesus Cristo que se realiza num lugar determinado, onde se proclama a palavra de Deus e se celebram os sacramentos. A comunidade neocatecumenal é uma realização local da igreja infra e intraparoquial. A comunidade, presidida por um presbítero, se insere na paróquia, e para abrir o caminho neocatecumenal numa diocese os catequistas pedem autorização ao bispo. Segundo os neocatecumenais, não há dupla hierarquia: uma, de Kiko, passando pelos catequistas; e outra, do bispo, passando pelo pároco ou pelo presbítero da comunidade. O caminho neocatecumenal é um caminho de evangelização no mundo secularizado, descristianizado e descrente. Nisso são decisivos os ´catequistas itinerantes´, que saem de suas comunidades, e a elas retornam para ir a outros lugares. Eles devem ser: enviados pela Igreja em seus presidentes, testemunhas da ressurreição pelo encontro pessoal com o Senhor vivo, e desprovidos de bolsa e toda segurança. Resumindo, as dimensões que constituem o neocatecumenato são: Querigma, Caminho e Comunidade. O anúncio abre um caminho de conversão e cria comunhão nos que acolhem a palavra da salvação. Na comunidade se recebe e se desenvolve a fé. A quenose faz chegar à realidade, por vezes desconhecida ou rejeitada. O caminho quer ser demorado, sem queimar etapas. A inquietude de diversos pastores é de parecer prolongar´se indefinidamente. Forma´se o tripé na palavra, liturgia e comunidade. A palavra de Deus alimenta a fé, na mesa eucarística entra´se no dinamismo de Jesus Cristo morto e ressuscitado, e assim nasce a Igreja, como corpo do Senhor. Nas comunidades se celebra a Palavra uma vez por semana; nos sábados à noite, abrindo o descanso dominical, reúnem´se para a Eucaristia; e a comunhão se propicia particularmente por uma convivência mensal, onde cada um comunica a experiência do seu itinerário de fé. O caminho neocatecumenal é marcado por etapas, escrutínios, passos, exorcismos, ritos.

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